Lá se vai mais um traço da História do Amapá.







Neste mês uma triste notícia chegou a este blog, o Cinema da Vila Amazonas, em Santana, patrimônio cultural do estado, por ser um ícone da arquitetura moderna brasileira, projetado por Oswaldo Bratke, e por ter sido o primeiro, está sendo “reformado” ou seria destruído?
Após anos de abandono o pior aconteceu, mais uma vez se descartou a história do estado do Amapá. Mais uma vez interesses privados suplantaram a memória coletiva, mais uma vez a história recente da arquitetura foi suprimida.
Pois toda estrutura de madeira que conformava o partido arquitetônico foi retirada, algumas paredes demolidas, há muito o maquinário do cinema havia “desaparecido”, uma prova irrefutável das possibilidades do uso desse material, que é subestimado, prova também da inventividade técnica, e uma gama de lições aos jovens arquitetos recém formados, e os estudantes ingressados nos cursos de arquitetura do estado.
Nenhuma voz se levantou contra tal fato! Nem mesmo de quem deveria, seja por obrigação institucional, seja por certo apego. Nada! Uma pequena manifestação apenas vem se produzindo neste espaço de debate, mas as respostas pouco chegam, e de quem pouco pode contra a sede insaciável de um novo, de um moderno – falso – despreocupado com a realidade e possibilidades locais.
A história se repetiu, e irá continuar a se repetir, não só com o patrimônio de Vila Amazonas mas de todo o estado se continuarmos a renegar nossa história para sermos o estado novo, das coisas novas, e sem um pingo de identidade. O restauro não aconteceu. O cinema morreu, e agora restam lamentos de um estudante.

 G4


Fotografias: Iacy Furtado e Luiz Kleumar; acadêmicos de Arquitetura e Urbanismo da Unifap.
Por Wandemberg Almeida Gomes; acadêmico de Arquitetura da Universidade Federal do Amapá.