Amapá paga a pior remuneração do país a mestre de obras*

As construtoras e incorporadoras pagam apenas R$ 4,09 pelo dia trabalhado. Enquanto São Paulo paga R$ 20,81.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta sexta 7, o índice nacional da Construção Civil (Sinapi) que traça um parâmetro do custo médio empregado nas obras e a remuneração paga aos profissionais da área. O Amapá aparece como o Estado da federação que pior recompensa os seus trabalhadores. A pesquisa compara os meses de agosto e setembro deste ano em relação ao mesmo período de 2010. 
 
O estudo atribui a fatores sociais a variação de preços e tabelas praticadas nos estados brasileiros. Só para ilustrar, os preparativos para a Copa do Mundo de 2014 colocaram o Rio de Janeiro em 1° lugar em boa parte dos itens da pesquisa. A cidade se prepara para sediar um evento de importância mundial e por isso, tem empregado recursos na ampliação da estrutura física desportiva, hoteleira e de mobilidade urbana. Esse “boom” da construção civil elevou o custo do metro quadrado para R$ 900,38. O mais alto do país.
 
Quando se trata da região Norte, o metro quadrado mais caro está no Acre, saindo a R$ 876,53. Seguido por Roraima com R$ 852,54 e por Rondônia com R$ 827,16. O levantamento mostra que o Amapá é o estado que comercializa o metro quadrado mais baixo da região, saindo a R$ 737,85. Neste cálculo são considerados os custos com materiais e mão de obra.

Empresários da construção civil argumentam que o custo final do metro quadrado incide no transporte de equipamentos, que incrementam o valor da obra. Mas se a fórmula fosse levada as vias de fato, o Amapá deveria incorporar o ranking dos estados brasileiros com o metro quadrado mais caro, e não o contrário.

O relatório do IBGE orientou ainda quanto as remunerações pagas aos profissionais da área. No Rio de Janeiro, a relação salário/hora de um pedreiro no mês de setembro atingiu R$ 5,36 e no Amapá R$ 3,63. Ao comparar a remuneração de um servente entre três capitais brasileiras, ocorre disparidade ainda maior. Em São Paulo, o trabalhador recebe R$ 4,14 por hora trabalhada, no Rio de Janeiro R$ 3,95 e no Amapá, apenas R$ 2,50. Ou seja, um servente que atua no Amapá recebe quase a metade do que profissional que trabalha no Rio ou em São Paulo.

O estudo também relacionou custo médio da diária de um mestre de obras. O Amapá é o estado que pior remunera. As construtoras e incorporadoras pagam apenas R$ 4,09 pelo dia trabalhado. Dado semelhante a remuneração dos profissionais da Paraíba (R$ 4,50) e do Tocantins (R$ 5,32).

Enquanto São Paulo paga R$ 20,81, a Bahia R$ 15,36, Minas Gerais R$ 15,03 e o Distrito Federal, R$ 13,95.

Indicador Social

Em 2002, o Congresso aprovou através da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) a adoção do Sinapi como referência para delimitar os custos de execução das obras públicas.
Ou seja, as contratações são baseadas nos dados obtidos pelo IBGE. Quanto menor é a remuneração paga, o Estado fica mais vulnerável a ter reduzida a dotação orçamentária para este tipo de atividade.