O ensino de projeto no Curso de Arquitetura e Urbanismo da Unifap - CAU/Unifap

 Vamos lá, já está na hora de alguém “botar a boca no trombone”!

Como estudante de arquitetura e futuro arquiteto amapaense, me sinto um tanto preocupado com a qualidade do ensino ministrado no curso de arquitetura e urbanismo da Unifap.

Antes de continuar, gostaria de deixar bem claro que este texto não se trata de uma ofensa ao curso e sim uma reflexão sobre o ensino da arquitetura que sabemos muito bem que precisa melhorar e isso somente será possível através de uma reflexão crítica da nossa realidade.

Muitos autores – arquitetos e professores de projeto – dizem que a disciplina de projeto arquitetônico seria a mais importante do currículo do arquiteto, pois é através dela que o estudante, futuro arquiteto, colocará em prática os conhecimentos teóricos da sala de aula:

“(...) parece inquestionável que a disciplina de prática de projetos é a mais importante, pois é nela que se realiza a síntese de todos os conhecimentos necessários ao projeto de edificações, espaços abertos e de urbanismo.” (Edson Mahfuz, arquiteto e professor de projeto da UFRGS)

Por isso é comum que as discussões sobre o ensino de projeto sejam sempre as mais polêmicas.

Particularmente, no curso de arquitetura e urbanismo da Unifap, o ensino de projeto deixa muito a desejar. Há aquela crença ultrapassada de que se deve simular o que se passa em um escritório de arquitetura, onde “o professor é o cliente e o aluno é o arquiteto contratado”. O professor lista uma serie de exigências que o programa arquitetônico deverá conter de acordo com um tema específico e libera o aluno para projetar.

1°: Onde está a teoria de projeto?

2°: E a interatividade com as outras disciplinas do curso?

3°: Simular um escritório profissional é extremamente prejudicial ao aluno, pois estágios servem para isso e além do mais existe uma diversidade de possibilidades de atuação de um arquiteto no mercado de trabalho e isso quem escolhe é o aluno não a Universidade.

Outros males ainda dificultam o aprendizado de projeto no CAU/Unifap, como a falta de uma mentalidade crítica dos alunos – ora como se pode aprender projeto sem uma percepção crítica do que estamos fazendo?

A própria estrutura da grade curricular impõe dificuldades para assimilar o conhecimento a ser aplicado na prática de projeto.

O modo como as disciplinas são ministradas também é algo que gera bastantes discussões entre os alunos. Ao invés das disciplinas teóricas servirem de subsídio, de embasamento teórico, para o projeto, elas tomam o tempo do aluno e, como Mahfuz alerta, “a disciplina de prática de projetos é apenas mais uma, competindo com as demais pelo tempo e a atenção dos estudantes.”

É evidente que há um “erro” metodológico na grade curricular e nas diretrizes das disciplinas ofertadas. Em um curso recente, estes erros são até admissíveis, porém o fato de ser um curso novo não é desculpa para não se buscar melhorar. Tais problemas podem ser solucionados com dedicação de professores e alunos numa relação horizontal, com discussões democráticas, afinal a universidade é feita também por estudantes, só falta esse estudante ter consciência disso! G4
 
Por Petter Isackson, acadêmico de arquitetura e urbanismo da Unifap