Linguagem de arquitetura: uma advertência

Ao longo da história da arquitetura, a busca (quase uma obsessão) por uma “linguagem” que fosse capaz de atribuir à obra arquitetônica ou urbanística, conceitos e significados que fizessem dela o seu sentido de existência, sempre esteve em pauta de discussão entre arquitetos e críticos de arquitetura. Se por um lado, arquitetos se utilizam da linguagem de arquitetura para justificar suas criações, os críticos, por outro, usam o “discurso linguístico” para qualificar e desqualificar obras de arquitetura. 

Mas afinal de contas, o que é linguagem de arquitetura? 

Tal discussão só poderia ter surgido na década de 1960, um período não muito criativo para a arquitetura, o Pós-modernismo. Por essa óptica, a arquitetura é compreendida meramente como um fenômeno visual, pressupondo a necessidade de uma “linguagem” que ordenasse os seus “códigos” ou “signos” para que se façam entender. O mais impressionante é que essa “ideia fora do lugar”, de importar da linguística uma metodologia para se analisar a arquitetura, ganhou força. 

Nessa busca pelo sentido da arquitetura, se fez todo o tipo de analogia com estudos linguísticos e semânticos (semiologia e semiótica); Umberto Eco, renomado historiador, até tentou esboçar uma “teoria” de que os elementos significantes (“signos”) da arquitetura deveriam ser a linha, o plano e o volume. 

Mas todo esse acúmulo sobre a semiologia (estudo das línguas) na arquitetura até agora só provou o quão inútil é, pois esses estudos sobrepõem a importância da própria teoria de arquitetura, e chegam a ignorar o próprio significado da palavra arquitetura. A busca por um sentido na arquitetura é admirável quando se vive em um momento em que a produção da arquitetura (e de teoria de arquitetura) passa por uma crise de identidade. Porém é preciso ter cuidado com as analogias que tem sido feitas! Tais analogias causam muita confusão e pouco contribui para a construção do sentido na arquitetura. Na verdade isso distancia o debate do seu foco central: a arquitetura. G4


Por Petter Isackson