MANIFESTO!


          O que se busca em um projeto arquitetônico, pode-se visualizar de diferentes maneiras que vão desde um sentido filosófico até, e mais recentemente tida como mais importante, valoração econômica.

    Alguns pontos importantes que acredito que devem ser característicos no processo de projetação:
         
        -O edifício deve funcionar, não importa o local onde esteja implantado, isto nos termos               que regem a física aplicada a arquitetura, em relação ao conforto térmico, “nem quente, nem frio” (Vilanova Artigas), lumínico de modo a possuir luz em quantidade tal            tudo se veja bem, e não canse os olhos, acústico onde nenhum ruído indesejável se          faça presente, mas a palavra dita, cantada seja ouvida de maneira clara. Mesmo que em ocasiões que falte infra-estrutura básica que possa se servir o empreendimento arquitetônico.

         -Não digo que a função siga a forma, mas que esta facilite a utilização de todo espaço. A captação da luz, do vento e a propagação do som ou seu isolamento.

         -Que se adapte, em termos estéticos, ao lugar que irá ser produzido, de maneira a ser apreendido como, mesmo que inovador qual a contemporaneidade, um toque familiar, baseado na sociedade, dessa forma se construindo a beleza plástica do edifício própria e em cada observador ou usuário.

         -Alinhe-se com seu tempo, seja marca do agora, sem deixar de buscar novos conceitos, experimente, com racionalidade, de modo que o edifício seja jovem e responda as aspirações do momento que fora produzido, de modo a adquirir uma característica excepcional que é a leveza no decorrer dos anos vindouros, e sirva de referencia.

            Aqui se apresenta mais que um simples projeto de uso residencial, é a introdução de uma nova possibilidade para o cenário arquitetônico amapaense, respeitando a cidade e a sociedade em que se insere a obra arquitetônica. Valorizando as características que tornam, para o Amapá, o ato de projetar mais complicado, o seu clima rigoroso e o sol que bate forte e aquece a criatividade dos arquitetos que aqui projetam, também é o ponto mais tocante no que concerne a redução de gastos com energia elétrica, afinal com tanta luz, acender uma lâmpada florescente não ilumina quase nada durante o dia, aproveitemos o sol. As margens do Rio-mar sopram uma brisa suave e continua quase um carinho, convidemo-na a entrar e renovar-se todos os dias. 

            Tomar partido destas condições, para elevar o projeto arquitetônico a um status de qualidade e eficiência é o mínimo que se pode fazer, em tempos onde o debate sobre o meio ambiente e a redução do consumo energético acaloram-se, morar bem poderia significar sem prejuízo algum aos conceitos de quem quer que seja respeitar a cidade, seja verticalizando ou horizontalizando o espaço, sem o prévio estudo, o bom projeto, não há respeito à cidade.

            Por se falar em eficiência uma breve discussão sobre. Entre os vários níveis possíveis e imagináveis tangíveis a um projeto de arquitetura em se tratando de eficiência, talvez aqueles mais apareçam sejam: segurança, economia, conforto, beleza, redução dos gastos com energia. A normalidade elege um destes pontos e o trabalha, para que seja este eficiente, quando o equilíbrio entre todos gera os melhores resultados. 


Por Wandemberg Almeida Gomes, Academico de Arquitetura e Urbanismo UNIFAP.