DESENVOLVIMENTO INTELIGENTE

Texto tirado do blog  FALANDO DE ARQUITETURA 

* às 4.10.10

 O desenvolvimento das cidades em que vivemos é inevitável, portanto é algo que deveria preocupar a todos, pois o modo em que uma cidade se desenvolve pode ser benéfico ou maléfico para a qualidade de vida dos seus habitantes.

A partir desta postagem, vou iniciar a divulgar uma série de idéias relacionadas ao desenvolvimento urbano que podem melhorar a vida nas cidades. São idéias originadas e aplicadas em várias partes do mundo, com excelentes resultados. Convido o leitor a compará-las com o que tem sido feito na sua cidade e a tirar suas próprias conclusões.

Entre os inimigos da boa qualidade de vida urbana, dois estão entre os mais perniciosos: a divisão da cidade em setores diferenciados pelo tipo de atividade que neles acontece –num bairro se vive, noutro se trabalha, noutro nos divertimos e fazemos compras, etc.– e a sub-urbanização, ou seja, o crescimento da cidade em direção a sua periferia, aumentando o seu tamanho e distanciando as partes da cidade entre si. Em geral, um reforça o outro tornando as coisas ainda piores.

Esses dois modos de desenvolver a cidade são soluções simplistas para um problema complexo e suas consequências se tornam cada vez mais claras: excessiva dependência do automóvel, poluição, congestionamento do tráfego, mau uso dos recursos naturais, alto custo das infra-estruturas públicas (por sua sub-utilização), insegurança, entre muitas outras.

Os principais elementos dessa cidade estendida são:
- Os bairros dormitório: partes da cidade cujo uso é essencialmente residencial, não importando se são conjuntos habitacionais financiados pelo poder público, “bairros” projetados por construtoras ou o mais luxuoso condomínio fechado. Sua mono-funcionalidade faz com que sejam áreas desertas durante o dia, sem nada da riqueza de experiência que oferecem os bairros tradicionais de qualquer cidade.

- Shopping centers: lugares criados exclusivamente para a prática do consumo, na sua maioria não contam com espaços para o trabalho e habitação. O típico shopping center é um edifício enorme circundado por um mar de estacionamento.

- Parques de escritórios: o equivalente do shopping center na área do trabalho, tendência forte nos Estados Unidos, que já começa a aparecer na América do Sul. São grandes edifícios ou conjunto de edifícios que abrigam quase exclusivamente locais de trabalho, em meio a milhares de vagas de estacionamento.

- Vias e estradas: quilômetros e quilômetros de asfalto são necessários para conectar as partes dissociadas da cidade atual. Como cada parte das nossas periferias serve apenas uma atividade –e a vida diária de cada um envolve muitas atividades– todos são obrigados a fazer deslocamentos constantes de um lugar para outro, muitos em carros ocupados por uma só pessoa, com todas as consequências já conhecidas.

- Falta de instituições cívicas, ou de infra-estruturas para a vida cotidiana, como chamei em outra postagem neste blog. Nesses lugares periféricos, como de resto na maioria das outras partes da cidade contemporânea brasileira, são raros os espaços que podem propiciar a vida social e cultural, como centros sociais, bibliotecas, centros esportivos, praças bem equipadas, etc.