SOBRE O PROCESSO DE VERTICALIZAÇÃO


 A cidade verticaliza-se, fica cada vez mais densa, e mais desenvolve-se, cresce. Bem crescer pode até crescer, mas desenvolver-se são outros bocados. Deve-se saber onde ela verticaliza-se, ou melhor onde o capital julgou mais propicio a verticalização, ai não importa o impacto no transito ou na rede de esgoto quando possui, nem se está em uma comunidade tradicional, e por ai vai... Por isso cresce, já que este processo valoriza de tal forma uma área que a população local acaba por ser “renovada”, o espaço urbano passa então “aproveitado”.

Mas para onde vai a população que possuía raízes naquele lugar , agora local (os termos se diferem pois o primeiro destina-se a um espaço onde se possui identidade com os elementos, sentimentos. Enquanto o outro é abordado pelo capital para definir áreas de atuação.) de certo não habitarão os edifícios ali instalados, estes serão “alocados” longe nas bordas da cidade. Portanto a cidade com o processo de verticalização descrito que não se alinha com as diretrizes dos planos da cidade tende a crescer obesa inchando mais e mais, também produz e não produz arquitetura, tão logo busca produtos, de habitar, sem se preocupar com o macro da cidade, e também cria marcos visuais que modificam a paisagem e a forma de relacionamentos em seu entorno imediato.

Uma lógica absurda, caos no sistema viário, durante o dia e ruas desérticas a noite, periferias de corpos amontoados em casebres, ou daqueles que até preferem morar nelas a “vantagem dos “gatos” de água, luz, dos impostos citadinos...

Tudo acaba virando oportunidade, seja para o grande capital imobiliário que lucra com suas torres, seja aquele que poderia “morar melhor”, mas aproveita o lugar onde está, seja o capital político, ou da politicagem, que ganha com o assistencialismo fornecendo para aqueles que tudo é mais difícil, “os corpos amontoados” e assim transportados muitas vezes ao seu local de trabalho, o mínimo para tentarem sobreviver, um pouco de esperança em épocas eleitorais regados a alguns tostões, esperança essa de melhoria de qualidade de vida que nunca chega, e estes últimos o que ganham? Doenças o ônus a violência, e por ai vai.

E vão incentivando e legitimando as invasões para por terras em especulação novamente no mercado informal imobiliário para depois no formal, agora com um pouco de infrestrutura, para voltar ao ciclo inicial de “despejos”.

Parece longe de nós, mas isto ocorre aqui mesmo, em Macapá, que importa tudo inclusive praticas de degradação da cidade. G4

Texto produzido a partir de reflexões feitas durtante disciplina Planejamento Urbano Regional.

Por Wandemberg Almeida Gomes, Acadêmico Arquitetura e Urbanismo da Unifap