MANIFESTEM-SE

“Verticalização não é sinônimo de problema, nem horizontalização é de solução”, com estes dizeres proferidos no II seminário da Cidade em findos de 2009 faz-se necessário o alerta que a ordem inversa da frase também é verdadeira, ainda mais se tanto um quanto o outro forem feitos seguindo apenas os desígnios de mercado.

Afinal, a cidade muito além de ser um pedaço de terra a ser comercializada é o espaço de reprodução social, e se esta for o sistema de segregação e pobreza. Do clientelismo e da dialética negativa, da manutenção do erro, da fabricação de “marginais” (1).

Não é somente esperar que um bom Plano Diretor (PD) seja feito, é participar de sua elaboração. Os arquitetos, e principalmente estes, não podem se permitir a acomodação, e as glorias dos grandes projetos dos grandes grupos ou o dinheiro dos pequenos, é preciso que tomem o controle do planejamento da cidade, espaço da construção de sua arquitetura, mas para que a arquitetura não fique a reboque dos acontecimentos e que possa realmente se desenvolver e ser ARQUITETURA, e não mera construção ou escultura de fachadas.

E graças a certo desleixo dos arquitetos e interesses individuais do poder publico o PD da cidade de Macapá, pouco conhecido e praticado, é ignorado. Então, o que podemos esperar disso? G4

(1) Marginal: É tudo aquilo que está a margem de alguma coisa.

Wandemberg Almeida Gomes, acadêmico Arquitetura e Urbanismo.